Economista e Professor Milton Nascimento

Define – se como transporte ferroviário como o modal de transporte utilizado para transportar cargas ou pessoas através de ferrovias, utilizando como meio de transporte o trem.

Em 1920, inaugurou – se a primeira ferrovia do Brasil, dando início do desenvolvimento desse tipo de transporte nacional. Já década de 40, o poder central começou a investir no transporte rodoviário.

Daí então, ferrovias e ramais começaram a ser desativadas, reduzindo a malha ferroviária de 38.00 km em 1960, para 27.000 km em 1980. Com a crise do petróleo na década de 70, dificuldades financeiras impediram de recuperar, modernizar e manter a malha ferroviária nacional, entrando em acelerado processo de decadência.

Na década de 1980, a administração pública tentou criar um sistema ferroviário capaz de substituir o rodoviário no transporte de cargas pesadas. Uma das iniciativas de sucesso foi a construção da Estrada de Ferro Carajás, inaugurada em 1985, com 890 km de extensão, que liga a província mineral de Carajás, no sul do Pará, ao porto de São Luiz, no Maranhão. Porém, o volume de investimentos foi muito pequeno diante das necessidades do setor.

O professor e pesquisador Aimberê Freitas em sua tese de doutorado em engenharia de transporte, defendida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, apresentou um trabalho de pesquisa científica propondo o transporte ferroviário como alternativa para a Amazônia Ocidental.

A proposta é que se construa uma ferrovia ligue o Amazonas à República da Guiana, passando por Boa Vista, uma vez que uma das maiores barreiras com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico na Região Norte que tem poucas alternativas de transporte. Em boa parte da Amazônia, não é possível levar produtos por meio fluvial, como é o caso de Roraima, e a abertura de rodovias é motivo de críticas por parte dos ambientalistas em função dos prejuízos à fauna e a flora.

Conforme Dr. Aimberê Freitas, a ferrovia diminuiria o tempo gasto no transporte de mercadorias feito para a América do Norte, Ásia e Europa, hoje feito pelo Oceano Atlântico. Apesar do alto custo para se construir uma ferrovia, ele defende que ela é um meio que não agride o meio ambiente e evita a entrada das pessoas na mata.

Esse modal de transporte atenderia os interesses do estado do Amazonas, principalmente o Pólo Industrial de Manaus; o noroeste do Pará, onde há uma grande produção de bauxita; o estado de Roraima para o escoamento de sua produção de grãos e a República da Guiana que produz e exporta arroz, açúcar e bauxita.

As argumentações do professor doutor Aimberê apóiam – se que, embora a construção de uma ferrovia ligando o Amazonas à Guiana tenha um alto custo, ela  proporcionaria ao governo e aos órgãos governamentais, um controle melhor e mais eficaz porque as pessoas parariam apenas nas estações, além de saber quem embarcou e desembarcou na ferrovia. Os ecologistas alegam que a rodovia é a causa do desmatamento porque possibilita que o agricultor entre e explore a mata de forma ilegal.

De fato, existem muitas características e vantagens do transporte ferroviário, a saber:

  • Grande capacidade no transporte de cargas e passageiros;
  • É mais econômico que o transporte ferroviário;
  • Possui mais opções energéticas (vapor, diesel, eletricidade);
  • O material utilizado é de longa duração;
  • Estimula o desenvolvimento da indústria de base.

Recentemente, Roraima recebeu a visita do empresário e pecuarista de Barbados, Kyffin Simpson, que veio até Roraima, acompanhado por uma representante do Fundo Monetário Internacional, com o objetivo de discutir as possibilidades de investimento no estado.

Segundo ele, o que falta ainda, é uma estrutura logística, apoio à pesquisa e conhecimentos técnicos para ampliar os negócios no país vizinho. Uma das propostas é construir em parceria com o FMI, uma ferrovia até a capital Georgetown para acelerar o desenvolvimento da região.

O transporte ferroviário não tem a agilidade do transporte rodoviário, mas apresenta algumas vantagens além das citadas acima, como não ter problemas de congestionamentos, existência de terminais de carga próximos às fontes de produção, transporta grande quantidade de mercadoria de uma só vez, além  do mais, é apropriado para mercadorias agrícolas a granel, minério, derivados de petróleo e produtos siderúrgicos e comporta também o tráfego de contêineres.

A utilização do transporte ferroviário, como o modo de transporte menos poluente que o transporte rodoviário e ao desenvolvimento e utilização de energias renováveis, combustíveis alternativos (biocombustíveis, gás natural e hidrogênio)  para reduzir as emissões, representam áreas de ação estratégica para a formação de cadeias de suprimento sustentável como requer o futuro.

Resta saber se o transporte ferroviário é a solução para o eixo Manaus – Boa Vista – Georgetown. Devemos lembrar que o transporte ferroviário é o mais utilizado no transporte de cargas e pessoas nos países desenvolvidos. Assim, o estado de Roraima se beneficiaria muito se esse tipo de modal fosse construído, uma vez que além do escoamento da produção de grãos e outros tipos de produtos, os demais bens e serviços teriam seus preços reduzidos, principalmente pelo barateamento do frete e a rapidez com que o comércio local seria abastecido com um custo menor.

Seria o principio do rompimento do “cordão umbilical” entre o comércio e a influência da administração na economia local.

  1. 24 de April de 2010
    socorro costa

    esse transporte sera muito importante para o desenvolvimento da amazõnia ocidental, em especial Roraima que possui um desenvolvimento praticamente anulado.

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