Ontem escrevi sobre uma possível guerra na América do Sul entre Colombia e Venezuela. Guerra essa em parte fomentada pela indústria bélica norte americana e pelas ações intempestivas do Presidente da Venezuela.

Muitos comentários vieram de várias partes. Os povos irmãos colombianos e venezuelanos entendem que essa crise não chegará a uma guerra. Eles acham que o atrito é entre os dois governos e não entre os dois povos irmãos. Pode ser, mas no mundo tem tantos países ditos irmãos que não resistem a este fomento de guerra, não é?

De qualquer maneira até o Presidente Lula, pelo seu portavoz, disse que vai interlocutar as conversas entre os dois mandatários e trazer a paz. Mas apenas disse. Ele sabe que sua missão com esse propósito no Oriente Médio foi um grande fracasso. Mas vamos ver.

Para o Brasil sobra um ENORME alerta. Temos que ajudar os militares a trazer mais gente e armamento para a nossa fronteira. No Brasil as coisas são assim: o Ministro da Defesa anuncia a criação de 20 Pelotões de Fronteira em Roraima, por exemplo. Anuncia que a Base Aérea será equipada com aviões de caça, etc e tal. Mas só anuncia. E o tempo passa e nada acontece de fato. Os militares que estão em Roraima são sentinelas permanentes, mas como são poucos, se houver uma necessidade real e o Rio Branco estiver seco, por essa estrada vagabunda que temos, não chegarão os esforços a tempo.

Como Senador da República e conhecendo muito de perto essa situação (pois acompanho essa escalada há 63 anos) emprestarei meu apoio a essa causa de Defesa do Nosso Território aqui nessa perigosa fronteira. Os militares sabem como se faz isso. O que eles não tem é apoio.

Vejam só o seguinte: Escrevi um livro, em 1998, com uma bolsa da Espanha, não do Brasil, denominado FRONTEIRA BRASIL/VENEZUELA – Encontros e Desencontros. Este, está esgotado. Nele eu mostro que a linha divisória entre Brasil e Venezuela ainda não foi concluída. Faltam mais de 1.800km de frontreira a ser demarcada com marcos intervisíveis. Em outras palavras: de fato ninguém sabe onde começa o território brasileiro ou onde termina a Venezuela. Por que isso? E eu respondo: Porque a Comissão Demarcatória da Região Norte com sede em Belém do Pará, ligada ao Ministério das Relações Exteriores (que diz que vai conversar) não tem dinheiro. Ou seja nenhum parlamentar do Norte e notadamente os de Roraima falam nisso. E isso é DEFESA NACIONAL.

Então o Brasil tem inteligência e estudos para a resolução dos seus problemas. Vide nesse caso a açãos dos militares que sabem como proceder, mas falta uma ação política na área do planejamento e do orçamento. Ou melhor precisará que ocorra algo bem grave para o Presidente da República deixe de pensar em futebol e passe a pensar nas fronteiras do Norte do Brasil.

P.S.: Por essa indefinição da fronteira, com a ausência de marcos intervisíveis, o mapa do Brasil que conhecemos aqui no Norte pode não ser real. Sabia? Ou seja nem dinheiro para se saber até onde vai o quintal do Brasil nós temos. O que voce acha disso?

  1. 25 de July de 2010
    PAULO VIEIRA

    Concordo em gênero, número e grau. O Brasil é o país do faz de conta. Faz de conta que temos saúde, faz de conta que temos educação, faz de conta que temos uma defesa aérea, faz de conta que temos forças armadas, e por aí vai.Para ter uma idéia, o combustível usado nas aeronaves deste estado é transportado de Manaus para cá. Se a BR-174 ficar obstruída, como aconteceu ano passado, se não me falha a memória, nós ficaremos sem poder utilizar aeronave alguma, pois todas, tanto as militares como as civis não voarão por falta de combustível. Isso mesmo, os caças ficarão vulneráveis no solo, não teremos defesa aérea. Cabe salientar que, ainda, não temos aeronaves supersônicas de caça em Manaus, para dar esse tipo de cobertura, em caso de falta de querosene de aviação. Nossas aeronaves são super-tucano (turbo-hélice), a deles, supersônicas de origem russa. Uma tropa mal equipada, mal remunerada, sem condições mínimas de operacionalidade, tendo apenas o grande amor para com o seu país. Isso mesmo, há lugares na região de fronteiras que se o militar não se virar, ele passa fome. Tem que usar todos os seus instintos de sobrevivência para caçar, pescar, plantar e colher. Se depender de aeronave para mandar os mantimentos ele “está na roça”. Enquanto este país rezar a cartilha do americano, que se acha o xerife do universo, com o maior contingente beligerante do universo, ficará assim, super vulnerável, basta apenas largar uma bomba na BR-174, que você inutilizará toda a defesa aérea baseada no estado de Roraima. Que belos estrategistas temos. Com a palavra o ministro da defesa! Que vergonha! Isto é Roraima, isto é Brasil.
    P.S.: Se não me engano os caminhões-tanque, que transportam combustível, não podem transitar no trecho da área indígena à noite, como os outros veículos, fragilizando ainda mais o setor da aviação neste estado. Uma rodovia federal interditada por índios? Que falta de autoridade e soberania! Parece que não temos presidente neste país. Como diria o Bóris “Isto é uma vergonha”.

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