A matéria seguinte pode até parecer estranha. Mas essa prática vem se espalhando pelo mundo e pelo Brasil inclusive. No Ceará é comum comer e até anunciar nos jornais a venda de bunda de tanajura. Em Roraima tem-se notícia que alguns indígenas comem gafanhotos do lavrado. Portanto a notícia não é estranha e nem deve causar espanto. Vejam só:

“FAO quer estimular produção industrial de insetos”

“A decisão tem como objetivo utilizar os animais como nova fonte de alimento para ajudar a atenuar a fome no mundo

por Isabel Martínez Pita / Agência EFE

A nova tendência da gastronomia mexicana funde elementos da comida tradicional pré-hispânica, como os insetos, com a mediterrânea e internacional

Estima-se que em 2050 a população mundial vai superar nove bilhões de pessoas, um número que poderá causar um colapso na indústria de alimentos. Perante a situação, especialistas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) decidiram promover os insetos, tão malvistos em algumas civilizações e tão requeridos há séculos em outras como elemento fundamental para a nutrição.

Responsáveis pelo Programa de Insetos Comestíveis do Departamento de Florestas da FAO, em Roma, dizem que não se pode ignorar a eficiência dos insetos como produtores de proteínas, em detrimento de outros animais incluídos na dieta tradicional. Mesmo assim, nem todos os bichos podem ser inseridos na alimentação e, além disso, uma ação indiscriminada poderia provocar graves problemas ambientais.

Cultura da entomologia

Há séculos foram muitas as culturas que mantiveram os insetos como base de sua alimentação. Atualmente, 36 países da África, 29 da Ásia e 23 na América consomem cerca de 527 tipos de insetos diferentes. Entre os grupos de animais mais comuns estão: escaravelhos; formigas, abelhas e vespas; gafanhotos e grilos; e traças e borboletas.

Julieta Ramos Elorduy Blázquez, professora e pesquisadora do Instituto de Biologia da Universidade do México, dedica-se a mais de três décadas ao estudo dos insetos e suas virtudes alimentares. Ela conviveu com diferentes tribos do México e extraiu os conhecimentos destes povos para os quais os insetos são uma tradição gastronômica lendária.

O México é um dos lugares com maior consumo de insetos em sua dieta comum. Sabe-se de seu uso culinário há 500 anos. Os primeiros espanhóis que se estabeleceram ali enviavam aos reis da Espanha ilustrações desses pequenos bichos que eram consumidos, entre os quais se encontravam gafanhotos, abelhas, vespas e escaravelhos.

Segundo a pesquisadora, o consumo dos insetos continua em todo o país, sobretudo nas áreas rurais. Inclusive, há alguns deles que atingem preços muito elevados, como é o caso do verme branco do agave, que custa US$ 500 o quilo (R$ 860). O peso equivale a cerca de 1.600 vermes, embora seja uma quantidade difícil de obter dada sua escassez. “O valor nutritivo dos insetos é maior que o do resto das proteínas animais. Seu conteúdo em proteínas é comparável ao da carne e sua quantidade de fibra é ainda maior”, sustenta a bióloga.

Limpos e saborosos

Apesar da ideia generalizada que se tem dos insetos em alguns países desenvolvidos, onde estão associados à sujeira, nos Estados Unidos há empresas dedicadas exclusivamente a sua comercialização. Em Montreal, no Canadá, a cada ano se realizam festivais de degustação e em outros países europeus, como a Espanha, restaurantes abriram suas portas para que os insetos sejam os únicos protagonistas de seus pratos. Embora sua comercialização em massa pareça ainda estar distante.”

Gafanhotos, ovos de formiga, jumiles (um inseto parecido com a barata), larvas de mosca e vários vermes podem ser degustados acompanhando risotos, lasanhas ou pratos elaborados de carnes

“Não acho que as empresas, as firmas e multinacionais apoiem a iniciativa imediatamente. Eles farão isso quando já não virem outra forma de fazer as coisas. O indivíduo da cidade tem pavor dos insetos. Para eles são animais sujos, geradores de lixo ou que se encontram em lugares que não reúnem condições de higiene”, afirma Blázquez.

A pesquisadora diz que os insetos, além de seu valor nutritivo, também possuem sabor agradável. “A aparência é o que pode ser o pior para pessoas com outro tipo de cultura, porque para muitos do meio rural todos estes animaizinhos são limpos e saborosos, não possuem aspectos negativos, só qualidades”, diz.

As vantagens, para Blázquez, são inúmeras. Os insetos são os animais mais numerosos do planeta e, na criação, não ocupam muito espaço. O custo também é avaliado por não demandar valores altos com manutenção e alimentação que pode ser realizada com resíduos orgânicos, dependendo do inseto.”

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