As tragédias naturais ocorrem em todo o mundo. A natureza é indomável e não pode condenada. Todavia, com esforço, boa vontade e uso de tecnologias pode-se prever e tomar providências para que seus efeitos sejam minimizados.

Todos sabem que os Estados Unidos são palco permanente para Furacões e Tornados. Morei um ano naquele país e na Universidade participei de pelo menos duas vezes de palestras de como fazer, em casa ou na rua, no caso de uma ocorrência tanto de tornado como de furacão. Quando era detectado um sinal, por menor que fosse de uma tempestade ou de um tornado uma sirene tocava insistentemente. E todos se preveniam.

No Japão também é assim e lá mesmo nos rios há uma cultura de prevenir no caso de alagações que possam atingir os moradores próximos.

No caso do Brasil isso não ocorre. E em algumas regiões como o Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina as tempestades ocorrem quase todos os anos e preferencialmente nos meses que vão de janeiro a março.

O Planejamento Urbano, ou melhor, o planejamento das cidades é uma condição básica e fundamental para que a cidade exista. No Brasil, na maioria das cidades não há Planejamento Urbano.

Veja bem, o governo criou um Ministério das Cidades. Maravilha. Lá no site daquele Ministério está escrito que o seu objetivo é: “combater as desigualdades sociais, transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o acesso da população à moradia, ao saneamento e ao transporte. Tratar da política de desenvolvimento urbano e das políticas setoriais de habitação, saneamento ambiental, transporte urbano e trânsito. Assegurar o direito à cidade – garantindo que cada moradia receba água tratada, coleta de esgoto e de lixo, que cada habitação tenha em seus arredores escolas, comércio, praças e acesso ao transporte público”

Mais adiante o site diz que o “Ministério das Cidades é uma conquista da cidadania brasileira.”. Terá sido?

No caso específico das cidades e nas regiões onde mais ocorrem as tragédias, são três os caminhos a seguir:

1.      Planejar o uso do solo para a construção das cidades;

2.      Se a cidade foi erguida sem esse planejamento, retirar as moradias daqueles lugares;

3.      Se não há recursos para retirar a todos, ou mesmo assim, manter monitoramento meteorológico e avisar, aos moradores, com a antecedência possível da ocorrência de tempestades. Mas avisar. Sirene custa bem barato.

Na região Serra do Rio de Janeiro, na tragédia da semana passada onde morreram mais de 750 pessoas, um carro de som, na cidade de Areal, salvou a todos.

*Aimberê Freitas, Mestre em Administração Pública com ênfase em Planejamento Urbano e Doutor em Engenharia de Transportes

  1. 20 de January de 2011

    Prevenção, agilidade na reação e responsabilidade na atuação sobre as causas e consequências da tragédia. Nada disso nossos governos farão. Inertes, incompetentes e irresponsáveis.

  2. 20 de January de 2011

    O planejamento deve preceder qualquer ação. E, no caso das moradias, mais ainda pois é muito difícil se obter uma e, não se deseja, que seja muito fácil perde-la.
    Aimberê Freitas

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