Fumar maconha pode adiantar o aparecimento da esquizofrenia

GUILHERME GENESTRETI
Para a Folha de São Paulo

Fumar maconha pode adiantar em quase três anos o aparecimento de esquizofrenia e de outros quadros psicóticos.

A conclusão é de uma revisão de 83 estudos científicos já publicados sobre a relação entre o consumo dessa erva e o transtorno.

Os resultados, divulgados no periódico médico “Archives of General Psychiatry”, dão mais munição a pesquisadores que se opõem à liberação da substância ilícita.

No total, os pesquisadores das universidades de New South Wales, Austrália, e Emory, EUA, avaliaram dados de mais de 22 mil portadores de distúrbios psicóticos _sendo 8.167 deles usuários de maconha.

A doença aparecia em média 2,7 anos (cerca de 32 meses) antes entre quem consumia a erva do que nos membros do grupo-controle.

“Acredito que essa relação seja de causa e consequência, e a maconha tem um papel importante [no aparecimento precoce do transtorno] em certas pessoas”, disse à Folha o psiquiatra australiano Matthew Large, um dos autores do estudo.

Uma hipótese é que pessoas com predisposição genética para esquizofrenia são mais suscetíveis à influência da maconha.

Nelas, os quadros psicóticos poderiam ser desencadeados pela alteração na concentração de neurotransmissores como dopamina e serotonina, causada pela droga, o que desregularia o funcionamento cerebral.

“Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia devem ser instruídas a jamais usar essa droga. Não dá pra arriscar”, diz Hélio Elkis, coordenador do Projeto Esquizofrenia do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo o psiquiatra, quanto mais cedo aparece a doença, pior o prognóstico. “Se surge na adolescência, o cérebro não teve tempo de se desenvolver completamente.” Isso piora o deficit cognitivo, próprio do transtorno.

  1. 12 de February de 2011
    Alexandre Horta

    Eu não consigo compreender como nos EUA existem uns 10 estados que são liberados para uso da maconha, liberando inclusive produtos como bolos e refrigerantes a base de canabis…sem falar no seriado chamado Weeds, que aborda justamente o uso da mesma.

    • 12 de February de 2011

      Os USA tem uns costumes inacreditáveis. Esse é um deles.
      E por tabela tem alguns brasileiros que querem descriminalizar a maconha, FHC é um deles.
      Condeno qualquer tentativa nesses sentido.
      Aimberê

  2. 12 de February de 2011
    Rui Donato

    Aimberê,
    Esse tipo de semiótica médica, que abdica de qualquer substantivo esforço compreensivo por meras inferências estatísticas e por precária constatação de correlatos arbitrários, segue instituindo “guidelines” tão frágeis que nem mesmo Popper se animaria a tomá-los por algo a ser seriamente considerado, com qualquer valor epistêmico.
    Nenhum proveito resulta da promiscuidade entre moralismo e ciência; enunciados deliberadamente vagos que apelam a termos como “pode” ou “certas pessoas” são mais que indício, expressam não a precaução tão recomendável à nossa larga ignorância acerca das realidades e manifestações complexas da bioquímica, enunciam que o controle social sobre o comportamento há tempos não só mais é exercido pela Igreja, outros agentes subalternos foram à essa tarefa arregimentados. Habermas em seu “Technick und Wissenschaft als Ideologie” (traduzindo livremente: “A técnica e a ciência como ideologia”, que suponho tenha edições em várias línguas) muito nos instrui acerca desse vigoroso mecanismo de ordenamento conservador, opressor; texto cuja leitura, enfaticamente, recomendo.
    Qualquer asneira calvinista pode constar em periódicos médicos, publicações cuja manutenção fiduciária é polimorficamente intransparente. Conhecimento científico é coisa disso distinta; como dar crédito a “trabalhos” que sobre o consumo de maconha referem-se à dopamina e serotonina e não à anadamida (conhecido endocanabinóide)? Propalam discursos de púlpito, mesmo se desde a cátedra, que os sigam os arrebanhados, os emancipados não!
    Que a cada um sejam facultados os comportamentos que a terceiros não resultem em agressão efetiva! É a ética republicana que devemos constituir e isso sobre os escombros do moralismo obscurantista castratador, em uma palavra (tomada por sua acepção etimológica) sobre toda a idiotice!!!

    • 12 de February de 2011

      Seus textos são mesmos muito profundos e seu vovabulário é extremamente específico. ESpero que outro amigo aqui do twitter consiga interpreta-lo de abrir assim um diálogo bem proveitoso.
      Grato pelo seu comentário
      Aimberê

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