Trecho do editor-chefe da revista Foreign Policy, Moises Naim. La Nacion.

Papel das Forças Armadas no que aconteceu na Tunísia e no Egito foi tanto ou mais decisivo do que o Facebook. Nesses países, os militares tiraram seu apoio aos ditadores, e estes foram deixados sem escolha senão ir embora. Se inicialmente foram os grupos no Facebook que chamaram os egípcios para a Praça Tahrir, foi o exército que possibilitou que a praça se transformasse em um lugar onde as famílias podiam ir sem medo e protestar contra o regime.

Felizmente, os militares egípcios não tiveram a tendência genocida de alguns de seus colegas líbios. Na Líbia, as forças armadas se fragmentaram e algumas unidades e os mercenários de Khadafi estavam dispostos a liquidar os opositores. Outros soldados estão lutando ao lado do povo. Se os militares não tivessem se dividido e todos tivessem cumprido as ordens de Khadafi para matar os manifestantes como ratos, o futuro do regime líbio não estaria em dúvida. No final, os que definem como e quando morre uma ditadura, são os militares.

E o que tem a ver a Internet com isso? Muito menos do que estamos lendo e ouvindo nas notícias destes dias. Reconhecer essa realidade ajuda a visualizar melhor o futuro destes países sacudidos por revoltas. No Egito, por exemplo, a menos que a pressão popular continue e obrigue as forças militares a aceitar reformas mais profundas, a revolução só vai ter servido para substituir uma pequena elite corrupta por outra. Os militares egípcios são um importante fator econômico e obtém enormes benefícios com as políticas ruins que usam milhares de jovens egípcios, sem emprego e sem futuro. E remover esses privilégios da casta militar, certamente exigirá muito mais do que criar uma página no Facebook ou fazer uma denúncia no Twitter.

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