Território com o tamanho de quase duas vezes o estado pernambucano foi transferido para os baianos.

Sonhar com a república 75 anos antes saiu caro para Pernambuco. Mais especificamente, custou 65% do seu território, hoje parte da Bahia, a partir daí o maior estado nordestino. Dom Pedro 1º retirou dos pernambucanos um Uruguai – ou dois Pernambucos atuais – para castigar e conter a Confederação do Equador, que almejava a independência. A atitude foi decisiva para nosso mapa e nossa história, mas ficou esquecida. Uma reportagem recente do Diário de Pernambuco ressalta que “o episódio desapareceu dos livros e, embora seja o único caso do Império em que uma região teve o território mutilado como represália política, evaporou-se também da história oficial do Brasil”.

O maior estudioso do tema foi o historiador e político Barbosa Lima Sobrinho. Ele garantia que o decreto de 14 de julho de 1824 era inconstitucional, além de “temporário”. Anexava a grande região, conhecida como Comarca do Rio São Francisco, a Minas Gerais. Depois, outra ordem lhe faria parte da Bahia. Apesar de grafar o termo “temporariamente” nos dois decretos, dom Pedro não explicou até quando valeriam e nunca fez revogação. Mesmo com a República, Pernambuco nunca mais viu o grande naco de terra.

Quase 100 anos depois, engana-se quem pensa que ficou por isso mesmo. Os moradores da região, no fértil oeste baiano, sentem-se distantes e descuidados pelo governo em Salvador. Encampam agora nova luta por independência. Desta vez, querem que a antiga comarca seja o estado do São Francisco, 27ª estrela na bandeira do Brasil. À primeira vista pode até parecer um plano audacioso demais, mas saiba que contam até com projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados – além de bandeira e hino.

Escrito por Natália Pesciotta
SAIBA MAIS Documentos Históricos sobre a Comarca do São Francisco, de Barbosa Lima Sobrinho (Imprensa Oficial – PE, 1951).

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