FHC, A OPOSIÇÃO E O POVÃO

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Ricardo  Noblat divulgou (12) trechos do artigo de FHC a ser publicado na revista Interesse Nacional. A parte mais polêmica trata das relações da oposição com um eleitor possível. FHC diz que as oposições devem esquecer as “massas carentes e pouco informadas” e que essas são área de influência do PT, pois o governo as cooptou com benesses.

FHC tem sempre o mérito de estimular o debate com seu talento, e isso por si só já é importante. Mas tais afirmações são, no mínimo, um exagero. Certamente não são um público cativo do PT. No máximo, impressionadas pelo populismo de Lula, fato, aliás, reincidente na história política da América Latina.

Um exemplo atual disso é o voto evangélico, que entra nas “massas carentes” e passa por cima das “benesses”. São muitos os exemplos, e Marina em 2010 um deles. A eleição de 2010 foi um ponto fora da curva, com Lula mitificado, entrando nas campanhas regionais no palanque, TV e até telemarketing.

É verdade que o populismo avança no continente. É um ciclo. Muitas vezes o populismo aparece sob disfarce. Por exemplo, ao aproveitar o sucesso eleitoral ou de uma política e mudar as regras do jogo. FHC fez isso em 1995, conquistando a reeleição no auge do plano real. Chávez fez isso mudando a constituição no início de seu primeiro mandato. Depois, o Petróleo, que chegou a 11 dólares o barril, fez o resto. O que teria sido um governo Lula, de 1999 a 2002, em plena crise internacional?

As razões de FHC -contrariu sensu- são as razões para que nenhuma força política tenha o monopólio e segmento nenhum do eleitorado. Evidentemente que nas circunstâncias de 2010, o candidato como o escolhido pelas oposições, cuja imagem era exatamente a antípoda de Lula, não poderia ter sucesso. E, assim mesmo, chegou a 44% no segundo turno, vencendo ou empatando em boa parte do sudeste, no sul e no centro-oeste. Dilma -pessoalmente- também não cumpre aquele figurino, e numa política de personagens viverá o desgaste num momento de contra-ciclo.

Perder três eleições seguidas é rotina em tantos países. E não deve assustar ninguém. Claro que se a oposição colabora, como agora na Argentina, ou se apavora e adere como agora no Brasil, os problemas aumentam. Se as “massas carentes são mal informadas”, cabe à oposição entrar na batalha da comunicação e não recortar o eleitorado. FHC mesmo cita o exemplo atual dos países árabes.

Portanto, há que se ler com muito cuidado o texto sempre inteligente de FHC, pois pode ser muito mais resultado de sua angústia, de seu estilo, ou mesmo uma autocrítica do que fez politicamente. Repetindo com FHC: “Não deve haver separação entre o mundo da política e a vida cotidiana”. Política se deve fazer todos os dias, e não apenas nas eleições.

INFORMAÇÃO NO SÉCULO 21

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Entramos no século 21 com uma constatação: o crescimento econômico depende da qualidade da informação e esta da qualidade da educação. O lugar privilegiado da modernidade econômica é ocupado pelos criadores e produtores de
informação, mais do que produtos materiais. O cinema, a televisão, as indústrias da comunicação e as produtoras de ferramentas e equipamentos processadores de informação, estão atualmente no centro da vida econômica mundial. Os ricos de antigamente produziam aço. Os ricos de hoje produzem equipamentos eletrônicos.

Bill Clinton nos lembra que ao assumir a presidência dos EUA em 1993, havia somente cinquenta websites. Ao deixar a Casa Branca, oito anos depois, havia 350 milhões. Juan Ramón de la Fuente, ex-Reitor da Universidade Nacional Autônoma do México, nos lembra, por sua vez, que atualmente circulam na internet cinquenta bilhões de mensagens por dia. Pioneiro, em 40 anos, o rádio conseguiu juntar 50 milhões de ouvintes. A televisão, desde 1950, juntou um número igual de telespectadores. Mas em apenas cinco anos, a Internet atingiu a soma que o rádio levou quarenta anos e a televisão, mais meio século. Em 2000, havia 300 milhões de usuários de Internet. Hoje, existem 800 milhões.

Por um lado, as escolas perdem o monopólio da educação e, por outro, a imprensa perde o monopólio da informação, mas também, se manter informado no longo período pós-escolar e pós-universitário é um dever e um direito, inseparáveis do exercício da cidadania e esse direito, esta obrigação, são também da nossa imprensa. A informação também está em crise, mas talvez seja uma crise de crescimento, que expande novos meios de comunicação, mas não sacrifica os anteriores.

Por Carlos Fuentes – La Nacion

ESTAR COM A MACACA

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ESTAR COM A MACACA

A expressão não remete ao animal macaco, mas à uma expressão do banto africano.

Quando dizemos que uma pessoa está com a macaca, não insinuamos que ela pule de galho em galho ou que o simpático primata seja símbolo de agitação. Macaca, no caso, não tem a ver com o animal. Vem da expressão maka’aka ou ma’káaca, do banto africano. Significa ataque de riso. No Nordeste, na época da colônia, a expressão também era usada para se referir a quem sofria de hanseníase.

Almanaque brasil

Museu de Ciências Naturais da Amazônia vai fechar as portas

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Neste sábado (02), o museu de Ciências Naturais da Amazônia deve receber os últimos visitantes e fechar as portas.

Após 23 anos de atividades diárias de segunda a sábado, com funcionamento em período integral, o museu não conseguiu se manter aberto devido à escassez por demanda e problemas financeiros.

“Estamos com problemas de caixa, e somente com a visitação não conseguimos sanar as contas, as visitas variam, há dias em que recebemos apenas quatro pessoas e na temporada dos navios já recebemos duzentas pessoas durante três dias seguidos”, relatou o administrador do museu, Kyoskuke Hashimoto.

O administrador do museu explica que dos gastos para manter o museu que não recebe nenhum tipo de incentivo ou verba de parceiros, apenas 70% é gasto com energia elétrica do aquário.

Os ingressos para a visitação tem uma tabela de custos diferenciadas, o bilhete para adultos custava R$ 14, estudantes R$ 7 e grupos de escolas que solicitassem ofícios pagavam apenas R$ 3 por pessoa.

O museu exibia, em três salas de exposição, espécies da fauna amazônica empalhados, variados exemplares de borboletas e peixes vivos, entre 93 exemplares de espécies de tambaquis e pirarucus e mais de 380 tipos de insetos.

De acordo com a direção do museu, houve tentativas de firmar acordos com alguns órgãos públicos para dar continuidade ao espaço de visitação, mas nenhum dos lados conseguiu chegar a um acordo que satisfizesse ambos.

O museu, que já passou por uma interrupção parcial das atividades no período de 1999 a 2000 por conta da reforma do aquário, tem a previsão de ser reaberto próximo do período da Copa do Mundo, quando os custos estiverem estabilizarmos.

Jornal A Crítica de Manaus

Paulo Freire e o Mobral.

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Paulo Freire e a criação do Mobral.

No começo de 1964, o educador Paulo Freire começava a implantar no País um revolucionário método de alfabetização de adultos. O mero beabá não era tudo para ele. Pelo contrário. O professor considerava ser fundamental que os alunos aprendessem a refletir sobre as questões sociais e a pensar nas relações de trabalho. Não à toa, foi um dos primeiros exilados políticos após o golpe militar de 1964. No lugar desta linha seguida por Freire e outros educadores, o governo lançou, em 15 de dezembro de 1967, o Movimento Brasileiro de Alfabetização, conhecido como Mobral.

Surgido durante o governo do general Costa e Silva, o método de alfabetização de adolescentes e adultos se diferenciava em muitos pontos ao usado até então. Em vez de ser um método crítico, propagava ideais de obediência ao Estado e aos empregadores. Bastava apenas aprender a ler, escrever e fazer as operações básicas de matemática.

O Mobral foi amplamente usado pelo País afora até meados dos anos 1980, quando se tornou muito caro para o governo e foi extinto. Mas não ficou totalmente esquecido. Durante muito tempo, quando alguém queria chamar outra pessoa de ignorante, dizia:

“Ô, seu mobral!”.

Escrito por Bruno Hoffmann   para Almamaquebrasil

Cheia em Manaus terá influência da calha do alto rio Negro, no Norte do Amazonas

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Em 2009, ano da maior cheia, a principal influência do rio Negro, na região de Manaus, veio do alto rio Solimões. Como este ano o Solimões está com regime dentro da normalidade, seu peso, até o momento, ainda não teve influência significativa no regime do rio Negro, na capital.

A cheia do rio Negro este ano, em Manaus, deverá estar dentro da média histórica, mas poderá sofrer influência da calha do Alto Rio Negro, no Norte do Amazonas.

As informações foram dadas nesta quarta-feira (30) pelo superintendete do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio Oliveira.

Em 2009, ano da maior cheia, a principal influência do rio Negro, na região de Manaus, veio do alto rio Solimões. Como este ano o Solimões está com regime dentro da normalidade, seu peso, até o momento, ainda não teve influência significativa no regime do rio Negro, na capital.

No entanto, o Alto Rio Negro, no Norte do Amazonas, e o Rio Branco, em Roroima, estão com os níveis acima da normalidade para o período. Nos últimos meses, aquela região sofreu com um grande volume de chuvas.

Elaíze Farias para A CRÍTICA de Manaus

Porque o território de Pernambuco é menor que o da Bahia

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Território com o tamanho de quase duas vezes o estado pernambucano foi transferido para os baianos.

Sonhar com a república 75 anos antes saiu caro para Pernambuco. Mais especificamente, custou 65% do seu território, hoje parte da Bahia, a partir daí o maior estado nordestino. Dom Pedro 1º retirou dos pernambucanos um Uruguai – ou dois Pernambucos atuais – para castigar e conter a Confederação do Equador, que almejava a independência. A atitude foi decisiva para nosso mapa e nossa história, mas ficou esquecida. Uma reportagem recente do Diário de Pernambuco ressalta que “o episódio desapareceu dos livros e, embora seja o único caso do Império em que uma região teve o território mutilado como represália política, evaporou-se também da história oficial do Brasil”.

O maior estudioso do tema foi o historiador e político Barbosa Lima Sobrinho. Ele garantia que o decreto de 14 de julho de 1824 era inconstitucional, além de “temporário”. Anexava a grande região, conhecida como Comarca do Rio São Francisco, a Minas Gerais. Depois, outra ordem lhe faria parte da Bahia. Apesar de grafar o termo “temporariamente” nos dois decretos, dom Pedro não explicou até quando valeriam e nunca fez revogação. Mesmo com a República, Pernambuco nunca mais viu o grande naco de terra.

Quase 100 anos depois, engana-se quem pensa que ficou por isso mesmo. Os moradores da região, no fértil oeste baiano, sentem-se distantes e descuidados pelo governo em Salvador. Encampam agora nova luta por independência. Desta vez, querem que a antiga comarca seja o estado do São Francisco, 27ª estrela na bandeira do Brasil. À primeira vista pode até parecer um plano audacioso demais, mas saiba que contam até com projeto de lei tramitando na Câmara dos Deputados – além de bandeira e hino.

Escrito por Natália Pesciotta
SAIBA MAIS Documentos Históricos sobre a Comarca do São Francisco, de Barbosa Lima Sobrinho (Imprensa Oficial – PE, 1951).

Pior a emenda que o Soneto

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Pior a emenda que o Soneto

A expressão, usada quando a tentativa de consertar uma falha fica pior que o próprio erro, veio de Portugal, do vocabulário da corte. Dizem que o criador foi Bocage, grande nome da literatura lusitana do século 18. Um aspirante a poeta teria lhe entregado uma poesia para que ele anotasse as falhas. O mestre, no entanto, achou o escrito tão ruim que nem arriscou mexer – devolveu ao autor com a célebre expressão.

Almanaquebrasil.com.br

Massacre dos submarinos alemães aos navios brasileiros levou o Brasil para a II Guerra Mundial

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Enquanto na Europa a Segunda Grande Guerra estava no auge, o governo brasileiro ainda não tinha se posicionado oficialmente a favor de nenhum dos lados. Mas o País mantinha relações próximas com os Estados Unidos, e exportava minerais estratégicos, importantes matérias-primas para a fabricação de armas. Para impedir esse comércio, em 15 de fevereiro de 1942, um submarino alemão bombardeou o navio Buarque, de bandeira brasileira, perto do litoral norte-americano. A embarcação afundou e um tripulante morreu. Pouco, diante do que viria pela frente.

Três dias depois, o submarino destruiria outro navio mercante nacional. Em seguida, um submarino italiano atacou outra embarcação. Até maio, seriam bombardeados mais cinco navios  brasileiros, deixando centenas de mortos.

A cada novo ataque, a população e a imprensa pressionavam o presidente Getúlio Vargas a declarar guerra aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), com direito a grandes passeatas. A gota d’água se deu em agosto, quando outro submarino germânico atacou três embarcações de passageiros no litoral nordestino. O saldo de uma noite de ataques: 550 mortos, quase todos civis.

A ofensiva permaneceu nos dias seguintes. Até que, em 31 de agosto, Vargas enfim anunciou: o Brasil estava na Segunda Guerra Mundial ao lado dos países Aliados, comandados por Estados Unidos, Grã Bretanha e União Soviética.

Escrito por Bruno Hoffmann

Operadoras alertam para “golpe do cartão de crédito”

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Em janeiro, uma operadora chegou a lançar o site www.dicasdesegurancavisa.com.br, tentando alertar sobre os golpes.

Operadoras de cartões de crédito alertam para golpes (Foto: Alberto César Araújo)

Clientes das operadoras de cartões de crédito têm recebido ligações de bandidos se passando por funcionários.

Eles alegam que os cartões foram clonados e procuram obter dados dos clientes. Em janeiro, uma operadora chegou a lançar o site www.dicasdesegurancavisa.com.br, tentando alertar sobre os golpes.

Normalmente, trata-se de uma chamada na qual o bandido se passa por um funcionário do Departamento de Segurança de bancos ou operadoras de cartão. Informa nome falso e até um número funcional qualquer.

Em seguida, pergunta se o cliente comprou algo recentemente – em geral, é um produto incomum, para que a resposta seja “não”.

A ligação continua com o bandido afirmando que “provavelmente” o cartão foi clonado. Nesse caso, o telefonema serviria para confirmar o problema e dar ao cliente um crédito para compensá-lo dos problemas sofrido.

A chave do golpe é o fornecimento de dados por parte do usuário para conseguir a liberação desse suposto crédito.

Além do número do cartão, ele acaba falando ainda os três ou quatro números que são a chave de segurança para compras pela internet. O cartão é usado logo em seguida, para evitar que seu dono perceba a farsa e a denuncie.

De acordo com Edson Ortega, diretor de risco da Visa do Brasil, os clientes recebem ligações dos bancos que oferecem o cartão Visa, questionando se realmente fizeram determinadas transações, mas nunca é pedido nenhum dado do cartão.

Portanto, esse tipo de informação nunca deveria ser passada ao receber um telefonema.

“Temos variações desse golpe. Histórias cada vez mais elaboradas onde os fraudadores tentam chegar mais próximos de situações do dia a dia dos clientes para, no fim, pedir informações do cartão. Estão ficando cada vez mais criativos”, observa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Agência Estado