A piscicultura de Roraima e de Rondônia incomodam

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Roraima e Rondônia estão na frente do Amazonas como produtores de peixes em cativeiro, todavia o estado vizinho não está gostando disso e inicia uma reação. Leia a matéria seguinte:

“Concorrência no setor pesqueiro do Amazonas é acirrada

GERSON SEVERO DANTAS de A Crítica de Manaus

A pesca no Amazonas vive momentos de incertezas e concorrência acirrada que exigem muita criatividade e capacidade de reinvenção dos atores envolvidos em toda a cadeia do setor.

A pesca extrativa – aquela feita pelos barcos regionais – tende a reduzir sua participação no mercado local, a exemplo do mercado mundial. O problema é que os estoques naturais estão diminuindo em função da captura (população aumenta e o consumo na mesma medida), além de haver uma tendência de redução dos períodos permitidos para pesca e aumento das espécies protegidas no defeso.

Já a piscicultura local enfrenta uma violenta concorrência dos produtores de Rondônia e de Roraima. Eles têm acesso aos insumos de produção a custos muito mais baixos do que os amazonenses. Rondônia, por exemplo, é vizinha do cinturão da soja de Mato Grosso e o grão é o principal item da ração dada aos peixes. O alimento é responsável por 70% do custo de produção de peixes em cativeiro.

Roraima, por sua vez, tem a vantagem de produzir ração a partir de outros grãos e ter acesso a Manaus por via rodoviária. Resultado dessa vantagem é que hoje o manauense come mais tambaqui e matrinxã “made in” Roraima e Rondônia.

Mas há luz no fim do túnel, sempre. A produção de pesca extrativa em áreas de manejo está crescendo, sobretudo nas Reservas Extrativistas e a exemplo do que acontece com o pirarucu de Mamirauá, no município de Tefé, a tendência é o aumento da produção para formação de estoques reguladores que serão aos poucos desovados ao longo do ano.

Por outro lado, o Amazonas desenvolve pesquisas buscando soluções para a produção de ração mais barata, criação de alevinos, qualidade de água e outros problemas que diminuem a competitividade do setor em face dos concorrentes.”