Cesariana é melhor para o bebê? “parece, mas não é”.

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Escrito por Dr. Alexandre Faisal

Um argumento de muitos obstetras, defendido também por muitas gestantes e futuras mamães, em favor da cesariana é que o procedimento é melhor para o bebê. Que o parto normal é imprevisível e que complicações de última hora no parto podem causar danos aos bebês. Um estudo americano mostra que isso não é bem assim, utilizando dados de mais de 8 milhões de partos hospitalares, de fetos únicos, nos Estados Unidos, entre os anos de 2004 e 2005. Isso mesmo mais de 8 milhões de registros de nascimentos.

Os autores do estudo analisaram códigos dos prontuários de alta hospitalar dos recém-nascidos, procurando identificar aqueles que faziam menção a algum tipo de trauma neonatal, ou seja, complicações sofridas pelos bebês relacionadas ao tipo de parto. Isso incluía uma longa lista de diagnósticos, tais como hemorragia cerebral, fratura de clavícula, lesão dos nervos cervico-braquiais e coluna, lesões de pele, olhos, rins, fígado, etc, etc. Dois critérios classificatórios foram usados. A primeira e mais importante conclusão é que os traumas não são assim tão freqüentes. Eles ocorreram em cerca de 3 a 26 casos por 1000 partos, dependendo do critério de classificação de trauma. Quanto ao tipo de parto, a cesariana realmente se associou com menor chance de lesões do plexo braquial, da clavícula e lesões por esfolamento, em geral, no crânio fetal. Mas por outro lado, se associou mais com outros tipos de trauma.

A questão não é tão simples, já que os pesquisadores mostram que o trauma neonatal relacionado ao tipo de parto depende também de outras variáveis, tais como o sofrimento fetal, uma condição preocupante no trabalho de parto, e o peso do futuro recém-nascido. Além de outras que não foram controladas neste estudo, tal como peso da mãe, presença de diabetes e hipertensão materna. Mas de qualquer jeito, o resultado questiona a afirmação de que cesariana é melhor para o bebê, em qualquer cenário. É isso faz lembrar uma antiga propaganda de produto anticaspa: “parece, mas não é”. (Moczygemba et al. Route of delivery and neonatal birth trauma. Am J Obstet Gynecol 2010)

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