A tragédia do Rio de Janeiro

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É necessário destacar, no entanto, os conceitos de “construção irregular” e “construção indevida”, como lembra um leitor.

A construção pode ser regular, aprovada pelos órgãos competentes e tudo o mais, mas foi erguida numa área indevida, ou seja, uma área arriscada.

Nesse sentido, surgiu-me uma idéia de haver uma cor que pudesse ser pintada nesses locais de construção indevida, informando tratar-se de uma área imprópria para construção, mesmo que o risco seja remoto. Como, aliás, fazem nas praias consideradas impróprias para banho.

Os profissionais da área de planejamento urbano deveriam ser mais ouvidos e existir mesmo uma auditoria em todas as cidades para definir tais áreas indevidas para construção. Construção irregular é com a polícia, Construção Indevida é com a ciência.

O texto a seguir é do Jornalista Gilberto Dimenstein, da Folha de São Paulo.

“A tragédia na região serrana do Rio mistura a catástrofe natural com a irresponsabilidade pública e a ignorância –é, aliás, algo comum nas catástrofes brasileiras. Basta ver o que fala o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio (CREA-RJ).

A entidade afirma que há pelo menos dois anos adverte as cidades da região serrana sobre as ocupações irregulares, mas, na maioria das vezes, sem nenhum efeito. Nem resposta tiveram.

Falta, segundo a entidade, qualquer planejamento urbanístico, o que contraria interesses econômicos de condomínios de alto luxo. Ou a disposição de arrumar briga com os mais pobres.

Soma-se a isso a ignorância: prefeituras, de acordo com o CREA-RJ, não teriam profissionais qualificados para evitar a construção de casas em áreas de risco.

Daí se vê, como sempre, como o descaso é uma tragédia permanente no Brasil.”