Faça a coisa certa

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Procuro não usar a internet para coisas fúteis. Assim encontrei esse artigo que é muito sugestivo e desafiador para os homens de bem e que tem sempre boa vontade. Vale a pena ler.

Faça a coisa certa

José Luiz Portela

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/joseluizportella/873142-faca-a-coisa-certa.shtml

Nasce um jovem em um bairro pobre com altos índices de violência e resiste à pressão para se marginalizar. Não se torna drogado, assaltante ou auxiliar de traficante. Não se evade da escola. Estuda duro e fica sempre entre os cinco melhores alunos da classe.

Deixa a mãe feliz. Mas não terá muitas oportunidades para ganhar mais que três salários-mínimos, quando entrar no mercado de trabalho. Ele não chegará a uma boa faculdade ou sequer ao terceiro grau, pois não terá o mesmo nível educacional da classe média. E não terá acesso a quem dirige as empresas.

Não há política pública específica que o apoie por se destacar. Ele está praticamente só.

Quase não temos políticas que estimulem quem faz a coisa certa. Há muitos projetos para quem entra no desvio: o egresso da prisão, o drogado, aquele que se atrasou na escola. Está certo. Mas, se o cidadão realizou o que a sociedade esperava dele, nada.

A meritocracia é valor importante. De uma forma ou outra, é aplicada em muitas empresas. Na universidade, há poucos programas de incentivo para quem se destaca. Porém, os melhores alunos acabam nos melhores empregos. Os melhores do Capão Redondo, da Vila Cruzeiro, da favela de Salvador, não.

Dizer que quem faz a coisa certa apenas cumpre com a obrigação é papo- furado. Todo o mundo precisa de reconhecimento, carinho e incentivo pelos gols marcados. Ainda que naturais.

No mundo de hoje, carente de indivíduos honestos e dedicados, repleto de frustrações com a ética, por que não incentivar quem faz a coisa certa?

O jovem dos Jardins que se destaca na escola é premiado pela família ou por cursinhos ávidos em propagandear o índice de sucesso na aprovação em faculdades de grife. Por que não dar bolsa para curso pré-vestibular aos que se destacam nas escolas públicas em regiões carentes? Por que não bancar bolsa completa para a faculdade aos primeiros colocados dessas escolas?

O mesmo ocorre com quem paga impostos. Os sonegadores sempre têm um perdão e um Refis (Programa de Recuperação Fiscal) à disposição. Os que pagam impostos em dia não recebem qualquer desconto. Desconto que seria crescente se continuassem a pagar em dia, tornando-se um investimento do Estado nos bons pagadores.

Mas não. Para eles, só a lei dura e crua. Se atrasarem uma prestação, multa. Se passarem mais dez anos em dia, nada.

O Estado é pai para transgressores e padrasto para quem é correto. E seguimos a lamentar os malfeitos que jorram pelo noticiário.

Não faz sentido. Está na hora de premiar os que se destacam pela virtude. Principalmente os mais pobres.

Educação: olhando o Brasil e América Latina em perspectiva

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Trechos da coluna de Andrés Oppenheimer -Miami Herald- La Nacion

Xangai, número 1 em teste escolar mundial. Pela primeira vez uma cidade chinesa conseguiu o primeiro lugar no mais reconhecido exame padronizado mundial para estudantes de 15 anos, o teste Pisa, administrado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No teste de compreensão de leitura, a Coreia do Sul ocupou o 2º lugar, Estados Unidos 17º; Chile 44º, Uruguai 47º, México 48º, Brasil 53º, Argentina 58º e Peru 63º. Em matemática, Cingapura ficou em segundo lugar, os Estados Unidos em 31º, Uruguai 48º, Chile 49º, México 51º e Argentina em 55º.

Numa economia global baseada em conhecimento, o teste PISA é considerado peça chave para determinar quais países estão mais avançados na criação de cientistas e tecnólogos que poderão desenvolver produtos cada vez mais sofisticados. Apesar do teste Pisa ter avaliado apenas “uma” China, a elevada pontuação dos jovens de Xangai parece confirmar a ideia de que a China está formando novas gerações altamente qualificadas que poderiam desafiar a supremacia científica do Ocidente.

A Coreia do Sul alcançou um recorde de patentes. Embora os Estados Unidos continuem sendo o maior produtor mundial de invenções, os países asiáticos estão ganhando terreno e os latino-americanos estão ficando para trás. A Coreia do Sul dobrou suas patentes registradas internacionalmente na última década e chegou a 8.800 em 2010, segundo o Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos. Em contrapartida, o número de patentes dos EUA sofreu uma queda na última década, chegando a 83.400 no ano passado. Em comparação, o Brasil registrou apenas 103 patentes em 2010, o México- 60, a Argentina- 45, e o Chile- 21, segundo dados do escritório norte americano.

Cronologia de Diplomas, Certificados, Títulos e Condecorações de Aimberê Freitas

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Conheça um pouco mais da minha história, da minha trajetória, da minha vida, por meio de meus diplomas, certificados, títulos, honrarias e condecorações. Seguem lista abaixo em sequencia cronológica.

1958– Diploma do Curso Primário outorgado pela Divisão de Educação do Território Federal do Rio Branco. Boa Vista – Brasil.

1963– Diploma do Curso Ginasial outorgado pelo Ginásio “ Euclides da Cunha” de Boa Vista. Boa Vista – Brasil.

1967– Certificado de conclusão do Curso Científico outorgado pela Associação Cristã de Moços – ACM do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro – Brasil.

1969– Diploma de Presidente do Diretório Acadêmico “ Vital Brazil Filho” na gestão 29/8/68 a 18/9/69. Niterói – Brasil.

1970– Diploma de Vice – Presidente do Diretório Acadêmico “ Vital Brazil Filho” na gestão Setembro de 1969 a Setembro de 1970. Niterói – Brasil.

1971– Diploma de Médico Veterinário outorgado pela Universidade Federal Fluminense – UFF. Niterói – Brasil.

1973– Diploma de Membro Titular do 7o. Congresso Pan- Americano de Veterinária e Zootecnia. Bogotá – Colômbia.

1977– Certificado de participação no I Encontro de Empresários de Roraima promovido pela Secretaria  de Governo do Território Federal de Roraima. Boa Vista – Brasil.

1977– Voto de Parabenizações da Câmara Municipal de Manaus pelo magnífico trabalho de sua autoria, sob o título “ Uma Estratégia para o Desenvolvimento da Pesca na Amazônia Ocidental”. Manaus- Brasil.

1978– Medalha “ Euclides da Cunha” do Clube dos Estados em consideração aos seus méritos pessoais e dedicado culto ao Brasil. São Paulo – Brasil.

1978 – Certificado de participação no IV Torneio de Integração de Futebol da Amazônia, outorgado pela Federação Roraimense de Desportos. Boa Vista – Brasil.

1979– Diploma de Sócio da Liga de Amadores Brasileiros de Rádio Emissão   ( LABRE ) . Brasília – Brasil.

1979 – Medalha do Mérito, primeira classe,, outorgada pela Ordem do Campeador de São Paulo. São Paulo – Brasil.

1979– Placa de Bronze dos servidores da Prefeitura de Boa Vista, por ocasião da passagem como Prefeito de Boa Vista, pelo exemplo de trabalho e dedicação à causa pública. Boa Vista – Brasil.

1980– Diploma de Honra ao Mérito com o Título de Benfeitor, em razão do reconhecimento pelos serviços relevantes prestados às Centrais Elétricas de Roraima – CER . Boa Vista – Brasil.

1980– Medalha João Ramalho pelos relevantes serviços prestados à nação e ao municipalismo, outorgada pela Sociedade Brasileira de Estudos Municipalistas. São Paulo – Brasil.

1981– Placa de Bronze de homenagem de todos os seus companheiros de trabalho na Secretaria de Agricultura. Boa Vista – Brasil.

1982– Diploma de Perfeito e Sublime Maçom – Grau 14 outorgado pelo Supremo Conselho da Maçonaria para a República Federativa do Brasil. Rio de Janeiro – Brasil.

1985– Placa de Bronze oferecida pelo servidores da Secretaria de Promoção Social – SEPROS agradecendo pela presença em sua vidas por ocasião da passagem como Secretário de Promoção Social,. Boa Vista – Brasil.

1986– Portaria da Coordenação Regional da Superintendência do Desenvolvimento da Pesca – SUDEPE  agradecendo publicamente a destacada participação como Consultor Técnico na elaboração do Projeto do Centro de Desenvolvimento de Aqüicultura Tropical no Amazonas, considerando sua ação como Serviço Relevante prestado ao Setor Pesqueiro Amazonense. Manaus – Amazonas.

1989– Certificado de Relevante Serviço Prestado à Medicina Veterinária Brasileira e ao País por ter exercido o mandato de membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária da 23a. Região no período de 1986/1989. Brasília – Brasil.

1989– Certificado de Especialização em Saúde Pública expedido pela Universidade de Ribeirão Preto – São Paulo. Ribeirão Preto – Brasil.

1990– Título de Mestre em Administração Pública conferido pela escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo- EAESP- São Paulo – Brasil.

1990– Medalha de Honra ao Mérito Rio Branco da Câmara Municipal de Boa Vista pelos relevantes serviços prestados ao Município de Boa Vista. Boa Vista- Brasil.

1992– Certificado de Agradecimento pelos trabalhos desenvolvidos em Comunidades Carentes com carinho, amor e seriedade, outorgado pela Federação Roraimense de Jovens Comunitários. Boa Vista – Brasil.

1993– Diploma de Relevantes Serviços Prestados à Medicina Veterinária do Amazonas e do Brasil, outorgado pela Sociedade de Medicina Veterinária do Amazonas. Manaus – Brasil.

1995– Certificado de participação, como palestrante, no III Encontro Regional do Livro Didático para a Amazônia. Macapá – Brasil.

1995– Certificado conferido pela UNIVERSIDAD CATOLICA ANDRES BELLO de Caracas – Venezuela pro presidir Banca de Examinadores da Dissertação de Mestrado da Licenciada Maria das Graças Santos Dias no Instituto de Investigação Histórica de Pos- Graduação daquela Universidade.

1998– Certificado de Serviço Relevante Prestado à Medicina Veterinária Brasileira e ao País por ter exercido o mandato de membro do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Roraima no período de 25/11/1995 a 24/11/1998. Brasília – Brasil.

1998– Certificado de participação, como painelista, do “ Simpósio Internacional: Costumes e Tradições da Amazônia: Aspectos Penais e Direitos Humanos, outorgado elo Tribunal de Justiça de Roraima. Boa Vista –Brasil.

1999– Certificado de Honra ao Mérito pelo brilhante desempenho na área cultural do Estado de Roraima. Boa Vista –  Brasil.

1999– Certificate of Attendance a pris part aux conferences du Congrés Mondial des Veterinaires. Lion – France.

2000– Prêmio Notoriedade Cultural 2000 do Departamento de Cultura do Estado de Roraima reconhecendo a sua contribuição à cultura de Roraima. Boa Vista – Brasil.

2000– Diploma de Acadêmico Vitalício da Academia Roraimense de Letras. Boa Vista – Brasil.

2002– Diploma de Destaque da Cultura 2002 outorgado pelo Departamento de Cultura do Estado de Roraima reconhecendo sua contribuição à cultura de Roraima. Boa Vista – Brasil.

2002– Certificado por sua participação, como palestrante, no II Ciclo de Estudos Contábeis, outorgado pela UNICEN – Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais de Boa Vista. Boa Vista – Brasil.

2002– Diploma de Colaborador Emérito do Exército em reconhecimento aos serviços prestados ao Exército Brasileiro outorgado pelo Comando Militar da Amazônia. Manaus – Brasil.

2002– Diploma de Amigo da 1a. Brigada de Infantaria de Selva pelos relevantes serviços prestados ao Comando da Brigada. Boa Vista – Brasil.

2002– Certificado de Coordenador da 1a. Feira Internacional da Amazônia da Sessão de Turismo em Regiões Indígenas, outorgado pela Fundação Djalma Batista. Manaus – Brasil.

2002– Voto de Louvor outorgado pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CONFEA pela palestra proferida durante a 3a. Reunião da Coordenadoria de Câmaras Especializadas em Engenharia Civil, sobre a Construção da Cidade de Boa Vista. Boa Vista – Brasil.

2003– Prêmio Notoriedade Cultural 2003, outorgado pelo Conselho de Cultura de Roraima. Boa Vista – Brasil.

2003– Diploma de Amigo da Base Aérea de Boa Vista em reconhecimento aos relevantes serviços prestados àquela Organização Militar. Boa Vista – Brasil.   

2004– Diploma conferido pelo 10o. Grupo de Artilharia de Campanha de Selva em agradecimento à palestra proferida no quartel do 10o. GAC SL sobre a História Militar de Roraima. Boa Vista – Brasil.

2004– Diploma de Amigo do 10o. GAC SL como forma de reconhecimento pelos relevantes serviços prestados e ações realizadas em prol daquela Organização Militar. Boa Vista – Brasil.

2008 – Certificado de Participação conferido pela UNIVERSID DEL NORTE de Cartagena de índias – Colômbia como apresentador de trabalho científico no XV Congreso Panamericano de Ingenieria de Transito y Transporte, denominado Transporte na Amazônia: uma tentativa de comparação de uso de modais.

2008 – Certificado de agradecimento da UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA por palestra proferida sobre “Logística na Amazônia” no Ciclo de Palestras do Curso de Mestrado em Economia.

2008 – Certificado de participação conferido pela ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE INFRA-ESTRUTURA DE TRANSPORTES, através do CONINFRA por trabalho científico apresentado: AMAZÔNIA BRASILEIRA – UMA SAÍDA PARA O ATLÂNTICO NORTE.

2008– Certificado de participação no I Congresso de Navegação e Logística na Amazônia Legal, promovido pelo Instituto de Estudos Marítimos em Manaus – Amazonas.

2008–  Certificado de participação  por ocasião da IV Feira Internacional da Amazônia em Manaus em Seminário: Logística na Amazônia: Projetos e Perspectivas promissoras. Como palestrante.

2008– Certificado de participação no Seminário sobre Reforma Tributária promovido pela Presidência da República em Brasília.

2009 – Diploma de Doutor em Engenharia de Transportes pela COPPE da UFRJ Rio de Janeiro.

2009 – Prêmio TOP CULTURAL DE INCENTIVO À QUALIDADE outorgado pelo Instituto Cultural da Fraternidade Universal de São Paulo.

2009 – Prêmio MACUXI DE OURO DE RORAIMA e Personalidade do Ano outorgado pela Sociedade de Roraima através da PROSOP Produções e Eventos.

2010 – Prêmio Medalha do Mérito Comercial de Roraima. Sistema Fecomércio/RR.

Por Amor a Roraima – Vote Aimberê 433

Quem é o Aimberê? – Parte 3: Um Adolescente Roraimense Sonhador

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O Ginásio da época, dirigido pelo Padre José Zintu, era muito mais que a quase totalidade das Universidades de hoje. Quem se formou naquele Ginásio é “Doutor”, até hoje. Estudava-se Francês, Inglês, Canto Orfeônico, Latim, Trabalhos Manuais, História Geral, Histórias das Américas, História do Brasil, Geografia Geral, Geografia do Brasil, Desenho Artístico, Desenho Geométrico, Técnicas Comerciais, além de Português e de Matemática. O Secretário era o Professor Voltaire Pinto Ribeiro que também ensinava Francês, com maestria. Os Professores recebiam por hora/aula e havia muita dedicação. São dessa época: Madre Leotávia, Profº Voltaire, Profº Jaceguay Reis Cunha, Prof’ Severino Gonçalo Gomes Cavalcante, Dr. Câncio, Dr. Borges, Padre José Zintu, Padre Eugênio, Padre Dante, Professor Rubelmar Maia de Azevedo, os Tenentes que coman­davam a 9ª Cia de Fronteiras, Profº Ferreirinha e outros tantos. O governo do Território não se metia com o GEC. Ele era da Prelazia, do Bispo D. José Nepote. O governo, na época, tinha apenas a Escola Normal Regional Monteiro Lobato. Rival do GEC nos esportes, nos desfiles, etc.

O GEC além da parte acadêmica propriamente dita, possuía o seu Grêmio Estudantil Euclides da Cunha, que se reunia às 5ª feiras, e onde todos tinham oportunidade de exercitar seus pendores artísticos e culturais. O Grêmio era dirigido por estudantes eleitos pelos colegas em eleição democrática, disputadíssima. Foi aí o nosso primeiro aprendizado da democracia. Sempre fui dos mais assíduos nos programas dessas reuniões semanais, ora fazendo discurso sobre um fato importante, ora declamando poesias, algumas até em Francês. Foi neste Grêmio que aprendi a falar em público, mesmo nunca tendo perdido o nervosismo e a ansiedade do início do discurso. Foi assim uma escola da vida. São contemporâneos da época do Grêmio: Mozarildo, Alcides, Elair, Pojucan, Diomedes, Nelito, Ana Nery, Edolier, Santoris, Ubirajara Riz, Ubirajara Souto, Alexandre Ferreira Lima Neto, Ovídio, Montenegro Peixoto, Antônio de Pinho Lima, Paulo Coelho, Humberto, Wilson Franco, Francisco Vandi Queiroz, Pedro Correa, Wedner Cavalcante, Valdé, José Liberato, Augusto Botelho, Sileno, etc.

O movimento estudantil era intenso. Havia a URES – União Riobranquense de Estudantes Secundaristas, filiado a UBES, com sede no Rio de Janeiro, no mesmo prédio da UNE, na praia do Flamengo, 132. A sede da URES era uma casa de madeira ao lado da caixa d’água. Lá os estudantes, mais conscientes do que os atuais, discutiam os destinos do país e de Roraima. A URES era nossa casa e a nossa trincheira para lutar por tudo aquilo que se achava justo. Fui Diretor do Jornal O Estudantil, órgão oficial da URES, tendo como secretário Paulo Coelho Pereira. A URES era combate, era luta, era vida. Em 1964 acabaram com a URES e destruíram o seu prédio, tal e qual foi feito com a UNE no Rio de Janeiro.

Em 1963 perdemos a política para a presidência da URES e fundamos, então, a AJR – Associação Juvenil Roraimense, tendo como seus impulsionadores, Ubirajara Souto, Idamir Cavalcante, Marlene Cavalcante e Marielza Freitas. AJR foi atuante, enquanto existiu, mas também ela desapareceu e os seus diretores foram perseguidos em 1964.

Concluí o Ginásio em 1963. Roraima não tinha os cursos de 2º Grau. Na época esses cursos denominavam-se Científico e Clássico. O jeito era sair por aí a fora atrás de mais estudo.

Terminei o Ginásio Euclides da Cunha, o equivalente hoje ao final do ensino fundamental, em 1963. Nossas turma de formandos daquele ano era composta de: Ana Nery Magalhães, Paulo Coelho Pereira, Mitsi Guimarães Siqueira, Sebastião Cruz Lima, Sâmara Maria Salomão, Geber Monteiro Coelho, Tarcy de Oliveira Pereira Natrodt, Mércia Maria dos Santos Rangel, Jeziel Torres de Amorim, Maria Nilce Macedo Brandão, Diomedes Oliveira, Sebastião de Oliveira Costa, Maria Antônia de Melo Cabral, Walter Jonas Ferreira da Silva, João Manoel de Almeida Coimbra, Mozarilma de Melo Cavalcante, Suely Nazaré Lima, Maria Estela Tavares, Tereza da Luz Morais, Margareth Moura Refkalefsky, Maria Tereza Barbosa Monteiro, Humberto de Oliveira farias, Augusto Afonso Botelho Neto, Lígia de Souza Pontes, Leonilza Rodrigues Barreto, Laura de Melo Cabral, Maria Rosi Gomes dos Anjos, Maria Leide Pinheiro, Elvécio Ferreira, Nélio Manuel Queiroz de Oliveira, Maria Aurileide Pinheiro, Carmem Maria das Graças Duarte, Maria de Lourdes de Sousa Coelho, Ovídio Vieira da Costa, Valderleide co Carmo Baraúna, Maria Célia Filgueiras de Melo, Syleno de Castro Ramos, Sebastião Duarte Arrais, Marcus Vinicius de Farias Guerra, Regina Célia Moraes de Oliveira, Luiz Aimberê Soares de Freitas, Maria da Conceição Melo Menezes, Terezinha de Jesus Castro Medeiros e Maria do Perpétuo Socorro Brasil.

Para dar continuidade à minha senda, novamente fui o orador da turma. Na ocasião fiz seguinte discurso: “ Neste dia quatorze de dezembro, data em que o Ginásio Euclides da Cunha lança para a sociedade mais uma equipe de formandos, eu, imposto pela vontade dos demais colegas, aqui venho para cumprir um dever, expressando o nosso pensamento de gratidão àqueles que muito fizeram pela nossa causa. Ditas estas palavras à guisa de intróito, desejo dizer que, escolhido para uma missão tão difícil quão honrosa, como esta de traduzir o que lhes vai na alma, sinto-me sobremodo emocionado, fugindo-me o vocabulário nesse momento, porém, em certas ocasiões a noção de responsabilidade ergue-se além da própria inteligência. Principalmente quando nos é dado firmarmos em público o que há de mais sublime na consciência humana que é o espírito de gratidão. Hoje os campos gerais do imenso Território de Roraima amanheceram com um verde mais bonito, mais orvalhado e mais esperançoso que nunca. E eu vos digo que se os campos gerais, eternos vigilantes, amanheceram mais esperançosos que nuca é porque eles vêem nessa juventude a sua esperança. Se eles amanheceram mais orvalhados que nunca é porque o orvalho de hoje foi de um colorido todo especial anunciando os quarenta e quatro formandos do Ginásio Euclides da Cunha. Cada formando é mais uma estrela no firmamento do bem estar do Território e o seu povo. Cada formando é mais um sol que nasce no horizonte para fertilizar, cada vez mais o porvir roraimense. Uma montanha tem o seu capitel, o seu pico mais alto, aquele que melhor se distingue no meio dos demais. Aqui o Território de Roraima é uma montanha e o seu pico mais alto é esta juventude laboriosa que muito representa no futuro de um povo. As nossas palavras são de eterno reconhecimento ao sacrifício e a persistência dos nossos querido pais que não recuaram um só passo em face dos obstáculos que surgiram durante a nossa jornada nos cursos primário e secundário para que víssimos concretizados os nossos ideais. Lutaremos sempre para honráramos as tradições dos nossos estabelecimentos de ensino, nos quais recebemos as luzes do saber e clarearam-nos as trevas da ignorância. O diploma que hoje recebemos e que traduz o esforço e a dedicação e muitos, nos abria as portas para outros campos e esses mesmos campos nos servirão de base sólida para futuros empreendimentos. E nestes empenharemos os melhores esforços para batalharmos pelo engrandecimento da terra que nos viu nascer. Aos nosso queridos mestres, cujos nomes ficarão gravados eternamente com tinta da cor do sangue do coração o seio dos quarenta e quatro finalistas, os quais acompanharam todos os nossos passos comum verdadeiro carinho maternal, orientando-nos nas horas difíceis comungando as nossas alegrias. A estes, que constituem para todos nós o que há de mais sublime, a nossa eterna gratidão e que continuem sempre pugnando por esta causa tão nobre que é da juventude do extremo setentrião brasileiro. Uma nov jornada iniciaremos com a noção firme e coesa de, no porvir, lutarmos pelo progresso do exuberante Território de Roraima e pelo engrandecimento do Brasil.”

O texto acima tem semelhança com o do primário, mas este foi inteiramente meu. Toda o meu ideário de servir, de trabalhar e de desenvolver Roraima foi construído tanto na escola primária, como no fantástico Ginásio Euclides da Cunha. Quem se formava naquele Ginásio, pode crer, se igualava aos universitários de hoje ou até os ultrapassava.

Ora, se para fazer o ginásio em Boa Vista já era difícil, imagine pensar em estudar fora! Era quase impossível.

O Ginásio, em Boa Vista, para mim foi dificílimo. Meus pais mudaram-se, em 1956, de Boa Vista para o interior. Fizeram o êxodo rural invertido: êxodo urbano. E eu, desde a 3a série primária passei a morar em Boa Vista, na casa de pessoas amigas dos meus pais. Morei em muitas casas, vivi muitos ambientes, experimentei muitos costumes diferentes, tive muitas experiências. Tinha apenas 10 anos. Para estudar em Boa Vista, fiz de tudo: lavei pratos, varri quintal, lavei banheiros, fui moleque de recados, fiz de tudo. Mas tudo eu enfrentei com fé, esperança e confiança: um dia vencerei.

Meus pais sempre foram pobres e, além disso, eu tinha outros 7 irmãos que também mereciam atenção. Por isso eu não tinha o que precisava. Meu sapato tinha o solado de papelão que eu mesmo pregava. Minha farda era única: uma só calça e uma só camisa, e era, também, a única roupa inteira que possuía. Uma vez deram-me um ingresso para ouvir Luiz Gonzaga cantar na sede do Rio Branco e, se eu quis ir, foi com a farda do ginásio, porque não tinha outra roupa.

Nunca tive medo de ser contra. Em 1961, governava o Território Djacir Arruda, paraibano, amigo de João Agripino, Ministro das Minas e Energia de Jânio Quadros. Meu pai era paraibano e conheceu a família de Djacir Arruda, homem sério, honrado, corajoso e trabalhador. Pois bem, os estudantes em quase sua totalidade protestaram contra o governador e contra a sua presença no governo do Território. Picharam as ruas, fizeram passeatas, comícios, etc… Eu fiquei contra os meus colegas e a favor do Governador Djacir Arruda. Se um pecado eu tenho é o de seguir os conselhos de meu pai. Fiquei do lado de Djacir Arruda e na sua despedida no GEC fiz um discurso em sua homenagem que, posteriormente foi publicado no Livro: Cinco meses de Rio Branco referente ao seu período de governo aqui no Território. Eu já tinha 14 anos.

Após o ginásio em Boa Vista os caminhos que se apresentavam eram apenas dois: parar por ai ou tentar prosseguir lá fora. Parar, não era meu desejo; eu queria prosseguir.

Mas, como continuar se, para fazer o ginásio em Boa Vista, tinha sido extremamente difícil? Meus pais morando no interior e eu em Boa Vista, ora morando na casa de pessoas conhecidas, ora morando em pensão, como aquela da Srª. Julieta Rangel que pegou fogo enquanto dormíamos, ora morando no interior e vindo, diariamente, de motor de popa, vender leite e estudar. Como pensar em estudar fora?

Eu, no entanto, tinha os meus sonhos. Sonhos de um jovem de 17 anos:

– Eu queria ir estudar no Rio de Janeiro. Não queria Manaus (eu achava que Manaus era apenas Boa Vista ampliada). Não queria Belém. Não queria outro lugar. Só o Rio de Janeiro. A preferência pelo Rio, tenho a impressão que era decorrente de ser o Rio, cidade de grandes recursos, de embaixadas (sempre tive vontade de ir para o exterior, ou a passeio ou, mesmo, para viver), enfim, o Rio era e é uma cidade atraente.

Por Amor a Roraima – Vote Aimberê 433

Quem é o Aimberê? – Parte 2: A Enciclopédia

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Ruas de Boa Vista Antiga.

Minha mãe matriculou-me na 1ª série da Escolas Reunidas Professor Diomedes Souto Maior, hoje Escola de 1º Grau Profº Diomedes Souto Maior. Não passei pelo PRE, como se chamava o Pré-Primário, hoje denominado de Pré-Escolar, maternal, Jardim da Infância ou Educação Infantil. Fui direto à 1ª série tendo como Diretora a Professora Conceição da Costa e Silva que morava na própria escola, casada como Sr. Raimundo Ferreira da Silva, pais de tantos roraimenses ilustres, meus contemporâneos, mas especialmente de Walter Jonas Ferreira da Silva, com quem briguei muitas vezes, nesta época, para ser o primeiro nome da pagela (não se usava a ordem alfabética). Era ordem de matrícula. Quem chegava primeiro ficava em primeiro na lista de chamada. E ele sempre ganhava porque era o filho da Diretora, morava na Escola e eu nunca podia chegar antes dele. Era impossível. Isso me frustrava. Mas eu descontava na hora de estudar. Aprendemos juntos a ler e escrever as primeiras letras. Assim fomos durante o primário. Desta época ficou na minha lembrança os nomes das Professoras Raimundinha Freitas, Waldemarina Gomes e Nazaré, a Nazarezinha devido ao seu tamanho. Foram anos de estudos aplicados. Não ia para o recreio quem não tivesse feito os trabalhos. Na hora da Matemática, a tabuada era tomada com a palmatória em cima da mesa. Cada erro correspondia a um bolo da professora ou do colega que sabia mais. Certa vez a Professora Raimundinha mandou copiar 100 vezes a palavra governo pois eu tinha escrito sem o assento circunflexo. Escrevi e gravei como se escreve governo. Só que a nova ortografia tirou o circunflexo do governo e, até hoje, ficou o que aprendi: tenho dificuldades em escrever governo sem o acento circunflexo.

Nas Escolas Reunidas Professor Diomesdes Souto Maior, estudei até a 4ª série.

Não tinha 5ª série. Fui estudar a 5ª série no Grupo Escolar Murilo Braga, com a Professora Maria das Neves Resende. O Murilo Braga não estava terminado e, durante alguns meses, e com a mesma professora, estudamos no Grupo Escolar Lobo D’Almada no Centro da cidade. Era o ano de 1958. Ano da Coligação, o maior movimento político partidário que já aconteceu em Roraima. Maria das Neves era contra o governo e do lado da Coligação. Por bondade. Ela, carinhosamente, chamava-me de Enciclopédia.

Este menino parece uma Enciclopédia. Ele sabe tudo. Foi o maior elogio que já recebi de uma pessoa. Mas para provar que não sabia tudo, em 1959, prestei Exame de Admissão para o Ginásio Euclides da Cunha e tirei a nota mínima 5, exatamente com o Professor Júlio Martins, recém chegado de Manaus, com fama de intelectual, como realmente o é, e profundo conhecedor do nosso vernáculo e até de latim. Entrei para o Ginásio em 1959.

Para concluir o curso primário, tal a sua importância na época, houve festa e a formatura, em traje de gala, foi no Teatro Carlos Gomes. Como orador da turma, preparei o meu discurso como apoio do Promotor Público do Território, Dr. Jersey de Brito Nunes.

Por Amor a Roraima – Vote Aimberê Senador 433

Vontade do povo

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O texto de hoje é do amigo, enternauta e estudante de direito Ronaldo Uchoa. Um jovem intelectual roraimense, preocupado com o presente e com o futuro. Leiam com atenção e comentem. Ele é um democrata e aceita críticas.

Estou começando a ficar mais convencido de que uma boa parte da população está criando consciência de seus direitos, da efetivação de cidadania e acima de tudo, saber que pode fazer a diferença em prol do nosso país.

Não é de admirar que as redes sociais contribuam significativamente nesse processo. Através da troca de idéias e ideais, pessoas vão articulando desejos de mudança. Que estão acontecendo. E penso eu, no caminho certo.

Começando pela Ficha Limpa, que marca um processo historio nunca visto no Brasil. Processo esse que tomou dimensões impensadas. Conseguiu-se um número considerável de pessoas apoiando a causa.

Agora imaginem, já pensou se essa moda pega?

Ela já pegou!

Um movimento novo surgiu à favor de nossa cidade. O luta pela banda larga RR (http://www.leodantasrr.com.br/blog/?p=628).

Iniciativas como essas, vão virar febre! Pelo menos é o que todos, principalmente os que estão cansados de tanta bandalheira, esperam.

Agora respondam: Qual o próximo passo?

Em minha opinião, um processo COLOSSAL voltado para a educação! Revisando muito do que não é feito. Em âmbito nacional, da qualidade da merenda escolar até a grade curricular e capacitação dos professores.

Certa vez li uma frase, não lembro o autor, que dizia: Educai as crianças hoje, para que não tenhamos que punir os adultos amanhã!

PENSEM NISSO!

Grande abraço,

Ronaldo Uchôa