Quem é o Aimberê? – Parte 2: A Enciclopédia

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Ruas de Boa Vista Antiga.

Minha mãe matriculou-me na 1ª série da Escolas Reunidas Professor Diomedes Souto Maior, hoje Escola de 1º Grau Profº Diomedes Souto Maior. Não passei pelo PRE, como se chamava o Pré-Primário, hoje denominado de Pré-Escolar, maternal, Jardim da Infância ou Educação Infantil. Fui direto à 1ª série tendo como Diretora a Professora Conceição da Costa e Silva que morava na própria escola, casada como Sr. Raimundo Ferreira da Silva, pais de tantos roraimenses ilustres, meus contemporâneos, mas especialmente de Walter Jonas Ferreira da Silva, com quem briguei muitas vezes, nesta época, para ser o primeiro nome da pagela (não se usava a ordem alfabética). Era ordem de matrícula. Quem chegava primeiro ficava em primeiro na lista de chamada. E ele sempre ganhava porque era o filho da Diretora, morava na Escola e eu nunca podia chegar antes dele. Era impossível. Isso me frustrava. Mas eu descontava na hora de estudar. Aprendemos juntos a ler e escrever as primeiras letras. Assim fomos durante o primário. Desta época ficou na minha lembrança os nomes das Professoras Raimundinha Freitas, Waldemarina Gomes e Nazaré, a Nazarezinha devido ao seu tamanho. Foram anos de estudos aplicados. Não ia para o recreio quem não tivesse feito os trabalhos. Na hora da Matemática, a tabuada era tomada com a palmatória em cima da mesa. Cada erro correspondia a um bolo da professora ou do colega que sabia mais. Certa vez a Professora Raimundinha mandou copiar 100 vezes a palavra governo pois eu tinha escrito sem o assento circunflexo. Escrevi e gravei como se escreve governo. Só que a nova ortografia tirou o circunflexo do governo e, até hoje, ficou o que aprendi: tenho dificuldades em escrever governo sem o acento circunflexo.

Nas Escolas Reunidas Professor Diomesdes Souto Maior, estudei até a 4ª série.

Não tinha 5ª série. Fui estudar a 5ª série no Grupo Escolar Murilo Braga, com a Professora Maria das Neves Resende. O Murilo Braga não estava terminado e, durante alguns meses, e com a mesma professora, estudamos no Grupo Escolar Lobo D’Almada no Centro da cidade. Era o ano de 1958. Ano da Coligação, o maior movimento político partidário que já aconteceu em Roraima. Maria das Neves era contra o governo e do lado da Coligação. Por bondade. Ela, carinhosamente, chamava-me de Enciclopédia.

Este menino parece uma Enciclopédia. Ele sabe tudo. Foi o maior elogio que já recebi de uma pessoa. Mas para provar que não sabia tudo, em 1959, prestei Exame de Admissão para o Ginásio Euclides da Cunha e tirei a nota mínima 5, exatamente com o Professor Júlio Martins, recém chegado de Manaus, com fama de intelectual, como realmente o é, e profundo conhecedor do nosso vernáculo e até de latim. Entrei para o Ginásio em 1959.

Para concluir o curso primário, tal a sua importância na época, houve festa e a formatura, em traje de gala, foi no Teatro Carlos Gomes. Como orador da turma, preparei o meu discurso como apoio do Promotor Público do Território, Dr. Jersey de Brito Nunes.

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