AMAZONIA: um gigante sem Rumo – Plano de Desenvolvimento

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A região amazônica é um gigante adormecido cuja área representa 61% do território nacional, abriga mais de 25 milhões de habitantes, mas que sofre com a falta de políticas públicas específicas para a resolução dos “gargalos regionais”.

Fronteiras abertas, urbanização, saúde e, principalmente, populações fragilizadas são alguns dos problemas que precisam ser enfrentados pela União.

Um dos primeiros a reclamar da situação foi o senador Mozarildo Cavalcante (PTB/RR). Ele propôs a criação de um Plano Nacional de Desenvolvimento da Amazônia com foco na valorização do ser humano.

“Quando se fala em Amazônia, o que se vê na televisão, nos documentários, nas reportagens, é mata, bichos e, quando muito, índios”, afirmou da tribuna do Senado.

Esse “desaparecimento” do ser humano da mídia e consequentemente da política pública faz com que as populações indígenas e ribeirinhas, conforme Mozarildo, ainda sofram com doenças curáveis facilmente, como tuberculose, hanseníase e oncocercose.

“São doenças que imperam na região por falta de uma política adequada”. Outro ponto falho na política nacional para a região na opinião do senador roraimense está nas fronteiras. São territórios livres, no entendimento dele, por onde passam armas que abastecem criminosos nas grandes cidades brasileiras, e drogas.

Para Mozarildo a questão das fronteiras é um exemplo de que não é possível resolver problemas nacionais sem uma política de desenvolvimento para a Amazônia.

Ministro foi cobrado a incluir região em planejamento
Na semana passada o senador João Pedro Gonçalves e o deputado federal Francisco Praciano, ambos governistas do Partido dos Trabalhadores (PT), foram ao ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Wellington Moreira Franco, para cobrar a inclusão da Amazônia no planejamento estratégico de longo prazo do País.

A SAE é responsável desde 2008 pela execução do Plano Amazônia Sustentável, que previa investimento, instalação de estruturas governamentais na região e regularização fundiária. Passado dois anos e dois ministros, Mangabeira Unger e Samuel Pinheiro Guimarães, o PAS não avançou e pouco ajudou no desenvolvimento da região amazônica.

Estopim
A disputa pelo comando do Plano Amazônia Sustentável foi o estopim para a saída do governo Lula da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que tinha coordenado quase toda a fase de planejamento, mas perdido da disputa política travada com Mangabeira Unger. “Perco o cargo, mas não perco a cabeça“, disse Marina Silva ao renunciar ao posto e retornar ao Senado, onde trocou de partido e saiu candidata a presidência da República em 2010.

GERSON SEVERO DANTAS, jornal Á Crítica de Manaus