ENTREVISTA VIRTUAL Aimberê Freitas para Folha Web

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01) Anderson Marcos

Senhor Aimberê, gostaria de saber qual sua opinião sobre o desenvolvimento do estado de Roraima. Qual o maior problema e qual seria a solução?

Aimberê – O desenvolvimento do estado de Roraima ainda não ocorreu de fato devido às políticas equivocadas que foram aplicadas ao longo do tempo, Primeiro como Território Federal, Roraima não recebeu do Governo Federal o apoio necessário ao seu pleno desenvolvimento. Naquele tempo Roraima era para a União uma espécie de “sentinela da pátria”. Ou seja, existíamos apenas segurar esse território para o Brasil. A preocupação do governo federal era apenas com a segurança nacional. Não se pensava em desenvolver Roraima o que foi um grande equívoco. Quando em 1988 passamos à condição de Estado as políticas públicas continuaram as mesmas e com um agravante: surgiu o viés político-eleitoreiro onde o voto de cabresto foi instituído para manter a classe dominante no poder permanentemente. A empresa privada honesta jamais recebeu do governo o sinal de que aqui se praticava trabalho sério e de apoio ao emprego pleno e ao desenvolvimento equilibrado. Tudo era governo e nada era feito pela iniciativa privada. As poucas empresas que aqui se instalaram ficaram atreladas ao governo e mantendo o status quo reinante. Só o trabalho sério e competente da empresa privada é capaz de desenvolver o estado. É ela quem gera empregos, renda e impostos para o próprio governo.

02) Gilmar Guimarães

O seu projeto da rodovia de Manaus a Guiana, não serviria só de passagem por Roraima? Desde que viramos Estado, há mais de 20 anos, apenas muita conversa dos mesmos grupos político e desenvolvimento com geração de emprego para essa grande massa de desempregado não acontece. São uns políticos em momento de eleição e nada para o povo. Um abraço.

Aimberê – Você tem razão. O Território Federal era fraco e o estado é mais fraco ainda. A Ferrovia vai passar por dentro de Roraima. Isso é ótimo. Pois dela podemos nos aproveitar para desenvolver agroindústria, o comércio exterior e os serviços. Ela “serviria só de passagem por Roraima” se nós ficarmos mantendo a atual política assistencialista. Todos nós sabemos que a miséria e a fome doem muito. Todavia, precisamos criar uma terceira fase dos programas assistenciais onde a educação técnica tenha vez e seja ativa. Ensinar os jovens a serem empreendedores. A criarem suas próprias empresas dentro da vocação regional da indústria voltada para a agropecuária. O que não pode Gilmar é só pensar na próxima eleição. Isso, não. Temos que pensar nas próximas gerações elegendo homens com esse pensamento a Ferrovia não será apenas “de passagem”, mas dela tiraremos proveito em benefício do nosso povo e do desenvolvimento de Roraima.

03) Internauta – Davi

Qual o principal campo para a economia do nosso estado e como investir num estado, onde não se vê o investimento das verbas? Como pode ser feito para que as verbas sejam bem aplicadas e ter uma prestação de contas como deveria acontecer?

Aimberê – Davi, nosso estado tem suas contas muito fechadas. Nada vai para a internet como manda a Lei. Nós precisamos de TRANSPARENCIA  nas contas públicas. Essa está associada ao planejamento participativo onde o povo vai opinar sobre onde e por que aplicar os recursos de modo a que ele acompanhe a execução dos trabalhos. Nosso principal campo econômico está voltado para a agropecuária. Mas nós produzimos muito pouco. E o governo não tem que se meter na “produção”, mas sim na construção e manutenção da infra estrutura como as estradas por exemplo. Roraima não tem estradas boas. E não tem pela falta de honestidade na aplicação das verbas. E isso precisa ser modificado. Não adianta alguém dizer que trouxe muita verba para Roraima se Roraima está de portas fechadas para o desenvolvimento. Aqui tem muito escândalo que só nos envergonha. A falta de SERIEDADE é patente e a falta de compromisso com o estado. Muitos políticos se aproveitam dessa nossa situação para se eleger e cair fora de Roraima, deixando-nos a ver navios.

04) Internauta – Francisco Porto

Você acha que os estados de Roraima e Amazonas têm produção suficiente que justifique imenso gasto da construção de uma ferrovia ligando Manaus a Guiana?

Aimberê – Tem. Vou te dar alguns números para teu raciocínio. Veja: o Pólo Industrial de Manaus, em 2008 movimentou 355.000 containeres de peças e sobressalentes   para o exterior. Acrescentando a soja que sai por Itacoatiara (2.500.000/ton/ano), e mais a exportação do projeto Pitinga e mais insumos isso representou 7.338.000 toneladas/ano. O noroeste do Pará que produz bauxita e exporta para o Canadá e que poderia remeter essa produção pelo ramal ferroviário que cobriria o sul de Roraima até Trombetas vendeu em 2008 2.600.000 toneladas daquele produto. O estado de Roraima, em 2008 recebeu insumos e vendeu produção para Manaus e para a Venezuela da ordem de 523.000 toneladas. E finalmente a Guiana, que também se beneficiará da ferrovia, a partir de Linden comercializou (recebimento e remessa) 2.300.000 toneladas entre Bauxita e insumos. Isso dá um total de mais de 12milhões de toneladas/ano nos dois sentidos. Hoje a maior parte dessa mercadoria anda de navio. O que não é ruim. Mas se adotarmos a ferrovia a economia de tempo de será de nove dias em cada sentido, ou seja, um navio para ir e vir de Georgetown a Manaus leva entre 16 e 18 dias enquanto que de trem leva dois dias. Precisamos não só construir e ferrovia, mas integrá-las aos outros tipos de transporte. Assim teremos transporte seguro e confiável na Amazônia Ocidental.

05) Internauta – Isaias Matos Santiago

Professor, nós os eleitores já estamos cansados de tantas promessas feitas e não cumpridas. Como o senhor faria para cumprir as suas, se eleito for?

Aimberê – Eleito vou articular em Brasília com os demais senadores e com o núcleo de inteligência técnica do governo federal a necessidade que temos de dar a Roraima o tratamento que ele jamais recebeu do governo federal, mostrando com dados técnicos que Roraima não deve ser considerado um peso para o Brasil, mas sim uma solução. Os órgãos regionais de desenvolvimento só vêm a Roraima por obrigação burocrática. Durante anos os recursos ficaram retidos no Pará e no Amazonas. Vou procurar convencer ao poder executivo que essa fronteira norte necessita ser mantida com mais inteligência. Eu não vou construir a ferrovia Manaus  Boa Vista Georgetown, mas sim provar ao governo federal e seus técnicos que ela é mais racional que as rodovias que agridem o meio ambiente, por exemplo. Vou mostrar que Roraima é uma província mineral de grande importância para o Brasil e que temos que regulamentar a Constituição na parte que regulamenta e a exploração mineral em área indígena, por exemplo. Vou mostrar a racionalidade antes de falar em recursos. A isso eu chamo de COMPETENCIA.

06) Internauta – Maria Eloneide de Mourão

Tive a oportunidade e o prazer de conhecer e conviver com o senhor Aimberê. Nesse período, eu e minha família aprendemos muito com o senhor. Com certeza todo esse aprendizado nos abriu portas e nos proporcionaram crescimento pessoal e profissional. Aimberê é um homem íntegro, de caráter e de fé.

Aimberê – Oh Eloneide. Muito obrigado por suas palavras tão gentis. Em Brasília eu vou honrar o nome de Roraima e de nossa gente. Integridade e caráter aliados com o conhecimento e a competência trará frutos para Roraima em forma de emprego para nossos jovens.

07) Internauta – Marco Aurélio

Creio que um dos maiores motivos de vergonha e entrave para o desenvolvimento do Estado é a barreira realizada na reserva indígena situada na fronteira com o Estado do Amazonas. É, além de um desrespeito à nossa soberania e cidadania, pois viola princípio constitucional, um mau exemplo que, acredito, serve de inspiração para outras lideranças indígenas fecharem a outra saída que temos, para a Venezuela. Até a presente data nossas forças políticas se mostraram incapazes de remover tal entrave. Qual o seu posicionamento quanto a esse fato?

Aimberê – Esse é um problema de difícil solução. Defendo a liberdade de ir e vir no nosso país. Não aceito o radicalismo. Os indígenas, com suas terras demarcadas, podem dela usufruir da melhor maneira. Em outras partes do Brasil e em outras estradas existe o pedágio que os transeuntes pagam. Creio que sem radicalismo e com diálogo uma solução inteligente pode ser obtida. Minha posição será sempre do diálogo e da busca de uma solução que facilite a vida de todos e não macule o direito dos indígenas de usufruírem das terras a eles destinadas. Em diversos países do mundo isso foi conseguido. Aqui no Brasil também será possível.

08) Internauta – Raimundo José

Professor Aimberê, caso o senhor seja eleito qual sua proposta para evitar o descaso com a coisa pública, como por exemplo: o ministro dos transportes junto com o então governador, na gestão de Flamarion Portela, exibiu o cheque simbólico com o valor muito grande para o asfaltamento de 27km da BR 432, no trecho entre o Cantá e a Vila Central, na época foi feito 10 quilômetros de estrada. O que fazer para evita crimes semelhantes?

Aimberê – Com a participação popular em primeiro lugar e com uma atuação digna dos Tribunais de contas da União e do estado. A Transparência deve ser exigida em qualquer situação e em especial quando se trata de gastos públicos. A corrupção em Roraima é muito grande. É necessário prender muita gente para pagar pelo desvio do dinheiro público e servir de exemplo para os demais. No Senado eu não vou prender ninguém, mas vou lutar pela aplicação das leis em todos os casos e em todos os níveis. O Partido Verde é intransigente com a aplicação honesta do dinheiro público. Este é sagrado para o PV. Deste princípio não me afastarei.

09) Internauta – Felipe

Gostaria de saber sobre essa lei de uso obrigatório de cadeirinha. Acho até um desrespeito com um trabalhador que mal consegue ter um carro e tentar manter-lo e isso vai causar mais dívidas para o brasileiro sem contar que as empresas aproveitam o momento para aumentar os preços que já é um absurdo e imagine você que tem mais de um filho, como fica essa situação? Tenho que comprar mais cadeirinhas ou vou ter que deixar de sair com meus filhos por não ter cadeirinha? O governo não ajuda a adquiri esse equipamento. Gostaria de saber o que você pretende fazer como senador? Abraços!

Aimberê – Caro Felipe. A cadeirinha é segurança para seus filhos, assim como o capacete é para os motoqueiros e o cinto de segurança para os motoristas. Não há alternativa que não seja adotar a cadeirinha. Isso é assim aqui e no resto do mundo. Como senador  tenho que apoiar a segurança pública e individual das pessoas.

10) Internauta –  Cláudio Francisco dos Santos

Sabemos que a forma como esta sendo conduzida a política em nosso estado, pouca coisa vai mudar e os projetos que de fato podem ser realizado são quase insignificantes, como o senhor pretende mudar essa realidade caso seja eleito?

Aimberê – Veja minha campanha tem como lema TRANSPARÊNCIA, SERIEDADE E COMPETÊNCIA.  Sempre fui assim e assim serei no Senado. Quero fazer cumprir o que diz os princípios constitucionais da Administração Pública quais sejam: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. Cabe ao povo denunciar as ilegalidades e ao poder judiciário mandar para a cadeia quem descumprir esses princípios. Como Senador lutarei para que as leis do nosso país sejam bem cumpridas. E não serei só eu, mas todos os brasileiros devem descruzar os braço e avançar rumo à busca de justiça para todos.

11) Internauta – Charles

Doutor, como pretende trabalhar para o melhoramento das nossas ruas, avenidas e rodovias, sabendo-se que na época chuvosa essas ficam de maneira lastimável, ou ainda “esburacadas” e dificultam o trânsito, como asfalto de qualidade. Estas precariedades prejudicam o bolso do eleitor?

Aimberê – Procurarei fazer campanhas para eleger prefeitos que cuidem bem das cidades, que adotem Planejamento Urbano para que o Crescimento das cidades não seja comprometido e que apliquem os recursos do povo de maneira eficiente e eficaz. No Brasil cada  um tem sua tarefa a ser executada. O senador não vai cuidar de ruas, avenidas, etc. Isso cabe ao Prefeito que é fiscalizado pelos vereadores. O Senador pode e isso eu vou fazer é mostrar ao país que a qualidade de vida e a segurança de todos passam por cidades bem cuidadas, com saneamento básico, com cidades saudáveis e acima de tudo democráticas.